quinta-feira, 3 de março de 2011

Minha filha não come!




A Júlia sempre amou mamar no peito, o que fez exclusivamente até os 7 meses. Era um bebê muito gordinho, ultrapassando, na tabela de crescimento, a média de altura e peso de meninos. Comparando as tabelas de crescimento do mesmo período dela com a do Lucas, quase não tem diferença.
Passado o perído da amamentação exclusiva, veio a introdução de sucos, em seguida, sopinhas, frutas raspadas, o que sempre foi muito bem aceito! Com 12 meses, ela parou de mamar no peito (por opção minha mesmo) e não teve nenhum problema em aceitar a mamadeira. Primeiro o leito puro, depois com morango, e, finalmente, a grande paixão pelo achocolatado. Ela mamava 3 vezes por dia, intercalando almoço, lanche, jantar. As sopinhas ela tomava que era uma beleza, inclusive as da Nestlé!
Quando entrou na escola, aos 2 anos e 1/2, parou com a mamadeira da tarde, se alimentava bem na escola.
O problema é que agora eu tenho muita dificuldade para fazê-la comer e a curva de crescimento dela anda estagnada. Andei tomando atitudes que jamais pensei que poderia utilizar, primeiro, o subterfúgio da sobremesa, não funcionou. Meio desesperada e já utilizando vitaminas, por recomendação médica, fico muito nervosa quando ela não come e brigo com ela, às vezes, ponho de castigo e até uns tapinhas eu já dei (admito com triseza). Realmente, creio que preciso aceitar que minha filha nunca vai comer demais, o que é genético (mais herança do pai do que minha) e não será mais gordinha nessa vida (embora pareça uma coisa boa daqui a uns 15 anos, nesse momento, parece-me um tanto assustador) e uma das poucas que devo fazer nesse momento é entender e respeitar que quando ela estiver com fome, ela vai pedir, como faz.
Encontrei aqui um artigo sobre exatamente isso e vou procurar mudar minha postura com ela.

TRECHOS EM QUE ME IDENTIFIQUEI:

Existem evidências de que as crianças são capazes de ajustar a ingestão de alimentos. O clássico estudo de Clara Davis, realizado na década de 1930, tinha a seguinte proposta: as crianças "sabem" o quanto precisam comer?. Esta foi uma pergunta que Davis tentou responder com os estudos sobre auto-seleção alimentar, realizada com crianças entre 2 e 5 anos de idade, na ausência da intervenção adulta. Esta pesquisa pioneira leva-nos a sugerir que as crianças possuem uma capacidade inata de regular o consumo alimentar, denominada wisdom of the body – bom senso orgânico – e conseqüentemente são capazes de manter o crescimento e a saúde 7,13.

A crença dos pais de que as crianças são incapazes de regular sua ingestão alimentar, estimula a preocupação, a ansiedade e a intervenção dos mesmos, que recorrem ao emprego de estratégias coercitivas e controladas na alimentação da criança. Desta maneira, é válido ressaltar aos responsáveis que, as crianças nascem com instinto de sobrevivência / preservação 18. Ou seja, a criança se alimenta impulsionada por dois estímulos: a necessidade do organismo e a sensação de fome.

Como a maioria dos problemas alimentares não se limita apenas a criança, mas trata-se de um problema familiar, a avaliação e o tratamento da queixa a criança que não come deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar. A intervenção visa tranqüilizar os pais, sanando dúvidas e diminuindo a ansiedade; e promover a modificação no comportamento alimentar da criança, tornando o momento da refeição, natural, descontraído e prazeroso para todos 11.

OS CONSELHOS:

A conduta nutricional adotada para prevenção e tratamento nestes casos baseia-se nos princípios da preservação do apetite, visto que as atitudes e reações mais comuns diante da inapetência são o desespero, uso da força, insistência e imposição dos alimentos, fatores que agravam ainda mais a recusa alimentar. De um modo geral, os pais devem ser orientados sobre:

  • Respeitar o direito da criança ter preferências e aversões;
  • Oferecer os alimentos em quantidades pequenas para encorajar a criança a comer. É comum às mães oferecerem mais comida do que a criança consegue assimilar, provavelmente, em virtude do fato de que e’ difícil para a mãe definir as reais necessidades de seu filho;
  • Não forçar, ameaçar punir ou obrigar a criança comer, assim como não oferecer recompensas e agrados, atitudes que reforçam a recusa alimentar e desgastam pais e filhos;
  • Não utilizar subterfúgios tais como o famoso "aviãozinho ou trenzinho"; visto que tais atitudes desviam a atenção e comprometem a percepção dos alimentos;(já fiz muito)
  • Não demonstrar irritação ou ansiedade no momento da recusa. A criança deve sentir-se confortável no momento da refeição;
  • Estabelecer o tempo de duração e os horários das refeições, evitando a oferta de alimentos a todo o momento;
  • Apresentar os pratos de maneira agradável, com textura própria para a idade, evitando a monotonia alimentar, fator este que interfere de modo significativo na formação do habito alimentar da criança;
  • Durante a refeição, o ambiente deve ser agradável, na ausência de ruídos, o que distrai a atenção da criança;
  • Participação da criança durante preparo dos alimentos e na montagem do seu prato, uma atitude que incentiva a criança a comer e a estimula a participar das tarefas domesticas;
  • Respeitar as oscilações passageiras do apetite, as quais ocorrem normalmente em todos os indivíduos;
  • Não disfarçar os alimentos, para que a criança saiba o que esta’ comendo, favorecendo o aprendizado e a identificação de texturas e sabores;
  • Para as crianças que ingerem grandes quantidades de leite, deve-se diminuir o volume e a freqüência, uma vez que líquidos suprem a sensação de fome.


  • Lendo esses artigos, encontro informação, mas também um pouco de conforto. Mas é claro que é uma preocupação que tenho desde que comecei a perceber a dificuldade da Júlia, ou a minha... O pediatra sempre diz que o fato dela ser magrinha depende muito da herança genética também. Mas como outras mães, estou sempre inquieta e procurando respostas e muitos conselhos de outras mães, inclusive. Como já disse, vou tentar mudar minha postura.








    Um comentário:

    Micha Descontrolada disse...

    q bom q ficou mais tranquila com as leituras...

    tenho uma priminha q ja foi internada várias vezes por nao comer, acredita? minha prima e tia ficavam loucas...ela é bem magrinha, mas esperta e come bem pouco ainda. hj tá com 5 anos e não precisou mais ser internada, graças a Deus.


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    ./_\\. Beijossssssssss
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